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 Idéias e Opiniões
     
A lenta agonia dos Correios. Por Daniel Lopes

 Nos idos anos 90 deixei a pequena cidade onde vivi os felizes anos da infância. 


Já adolescente a vida me encaminhou para a capital, e lembro-me da grande alegria ao ver o carteiro com as esperadas cartas na mão. Sem as facilidades tão comuns de comunicação existentes hoje em dia, havia somente o famoso P.S da Telemat para contato com os que ficaram. 

Caro e nem sempre “dando linha”, o telefone era um luxo para poucos, tornando as cartas a forma mais acessível para receber notícias da família e manter viva a paixão pela jovenzinha que ficou, mas que vez ou outra remetia uma cartinha num envelope decorado. 

Em seu tão característico uniforme azul e amarelo era ele o portador de boas novas. O esperado carteiro trazia as cartas que eram um alento para a saudade e as incertezas da distância. Para meu espanto esta semana o amigo de outrora tornou-se um desafeiçoado visitante.  

Era por volta das dez horas da manhã quando ele chegou com uma caixa endereçada a minha pessoa. Recebi a encomenda e em seguida o entregador de forma ríspida me disse que na próxima semana não haveria mais entrega em meu endereço e que eu deveria procurar minhas encomendas em determinado lugar. 

Indaguei por que, e de forma mais rude ainda ele me disse que em meu bairro não haveria mais entrega de correspondências. O endereço onde está localizado meu imóvel possui CEP e todas as condições de receber de forma segura minhas correspondências e o profissional dos Correios; daí meu espanto ao ouvir a afirmativa que o carteiro me direcionou. 

O Correio brasileiro, que já foi motivo de orgulho ao país é hoje uma sombra de seu passado glorioso. Não raro, encomendas ficam perdidas e não se consegue informação alguma. 

No mês de novembro passei dias à caça de um presente encomendado para o natal. O sistema de rastreamento indicou por quase trinta dias apenas duas informações; a postagem em São Paulo e uma tal de “aguardando retirada”, depois “ objeto devolvido” supostamente porque eu não retirei o objeto em algum lugar, embora tenha sido endereçado a minha residência. 

As ligações ao SAC viraram um “ saco” com o perdão do infame trocadilho. A atendente repetia que só tinha as mesmas informações do site, me orientando a ficar aguardando a encomenda aparecer. Atacado pela corrupção que o assolou em governos passados e de forma mais ostensiva nos anos do governo “ dos trabalhadores”; o Correio brasileiro está se deteriorando de forma rápida. 

Muitas de suas agencias hoje são “franquias” que na verdade são um arremedo de terceirização tosca, onde visa-se apenas lucro, em detrimento da qualidade de seus serviços. Muitas dessas agencias tornaram-se meras agências bancárias, onde a entrega de correspondências e encomendas não é prioridade. Atuando na função de bancos, os atendentes dão pouca ou nenhuma atenção ao mister primeiro dos Correios; que é a entrega e recebimento de correspondências e encomendas, e com isso estão perdendo espaço para outras empresas, mesmo que isso seja ilegal, já que os Correios detêm o monopólio de correspondências no Brasil. 

Noutro dia, por exemplo, recebi uma segunda via de cartão de credito por uma empresa de “ entrega expressa”. Ainda não se pode afirmar que essas concorrentes dos Correios serão melhores ou piores, mas o fato é que elas estão se posicionando e isso deixa claro que o Correio de outrora não mais existe. 

Recentemente a direção da estatal anunciou o PDV – Plano de Demissão Voluntaria – que pretende alcançar cerca de 8 mil funcionários e assim equilibrar o caixa da combalida empresa. 

Segundo noticiam grandes veículos de comunicação nem mesmo seu fundo de previdência Postalis escapou da má gestão e muitos funcionários tem sérias dúvidas se receberão suas aposentadorias no futuro. 

Vitimado pelas quadrilhas dos fundos de pensão instalados nos últimos governos o Postalis teve enormes prejuízos em transações temerárias, e entre fundos deficitários e títulos chamados “podres”, foram comprados títulos da dívida da Venezuela e Argentina; agora a sombra da insolvência é uma constante.  

Funcionários desmotivados e sem melhores horizontes, são a realidade de uma estatal que se deteriora dia após dia. Segundo país do mundo a fazer uso do selo postal, o Brasil tinha nos Correios um de seus grandes orgulhos, e hoje a situação ameaça até a emissão de selos e seu departamento de filatelia. 

O que já foi um rentável e bem estruturado departamento; hoje é relegado ao mais absoluto abandono.  

Em seu quarto ano consecutivo com fortes prejuízos, e tendo de buscar socorro junto ao tesouro nacional e até a bancos, os Correios estão entrando em colapso.   

Aparentemente nada vai mudar e tudo indica que o monopólio de correspondências no Brasil será quebrado, com isso será jogada a pá de cal que liquidará uma grande estatal, responsável por unir o país de um extremo ao outro por décadas. É muito triste que isto esteja acontecendo e é mais uma prova de que os últimos governos deste país deixaram um estrago sem precedentes ao Brasil; um deles foi o desmonte de estatais outrora rentáveis ao país.  

Neste caso emblemático dos Correios, a crise internacional não serviu como culpada  - um costume do governo anterior - , afinal os Correios tem o monopólio a seu favor , mas nem mesmo esse  monopólio e a paixão de seus profissionais foram suficientes para proteger os Correios de um lento e melancólico fim. 

Daniel Lopes escreve de Cuiabá para o Porto Noticias
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