Republicanos decide ficar neutro na disputa presidencial e não vai compor chapa com Flávio Bolsonaro

O Republicanos definiu, nesta terça-feira (4), que permanecerá neutro na disputa pela Presidência da República nas eleições de 2026, informa o colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles. A decisão foi tomada durante a convenção nacional do partido, realizada em Brasília, encerrando semanas de negociações internas sobre um possível alinhamento com uma das principais candidaturas ao Palácio do Planalto.
A proposta pela neutralidade venceu com ampla maioria entre os dirigentes da legenda. Dos votos registrados, 17 foram favoráveis à posição de independência, nove defenderam o apoio ao candidato do PL, Flávio Bolsonaro, e apenas um integrante manifestou preferência por uma aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
Com a decisão, o Republicanos opta por não formalizar apoio a nenhuma candidatura presidencial, preservando autonomia para que suas lideranças estaduais conduzam as articulações políticas de acordo com os cenários locais.
Articulação com o PL não prosperou
A convenção foi conduzida pelo presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, que até os últimos dias buscava construir um entendimento com o Partido Liberal.
Segundo informações de bastidores, Pereira tentou viabilizar a indicação da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) para ocupar a vaga de candidata a vice-presidente na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro.
A proposta, no entanto, encontrou resistência dentro da própria legenda. A maioria dos dirigentes avaliou que a neutralidade seria a alternativa mais adequada para preservar a unidade partidária diante das diferentes posições existentes entre suas principais lideranças.
Com isso, a tentativa de aproximação institucional com o PL acabou sendo rejeitada durante a votação.
Lideranças participaram da convenção
A reunião contou com a presença de algumas das principais figuras do Republicanos em âmbito nacional.
Além de Marcos Pereira e da senadora Damares Alves, participaram da convenção o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (PB), os senadores Cleitinho (MG) e Hamilton Mourão (RS), além do ex-deputado federal Eduardo Cunha.
A diversidade de posições defendidas durante o encontro refletiu as diferentes correntes existentes dentro da legenda sobre qual deveria ser o posicionamento do partido na eleição presidencial.
Apesar desse cenário, prevaleceu a avaliação de que a neutralidade seria a alternativa capaz de evitar divisões internas e preservar a atuação política da sigla nos estados.
Tarcísio foi representado por secretário
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, uma das principais lideranças nacionais ligadas ao Republicanos, não participou da convenção.
Em seu lugar, esteve presente o secretário-chefe da Casa Civil paulista, Roberto Carneiro, que representou o governador durante a reunião em Brasília.
No momento em que a convenção era realizada, Tarcísio participava de uma sabatina promovida pela RedeTV, motivo pelo qual não compareceu ao encontro da executiva nacional.
Neutralidade amplia autonomia nos estados
Com a decisão aprovada nesta terça-feira, o Republicanos deixa de integrar formalmente qualquer coligação presidencial e passa a concentrar seus esforços na estratégia eleitoral regional.
A posição também oferece maior flexibilidade para que candidatos do partido estabeleçam alianças distintas nos estados, respeitando as particularidades de cada disputa local.
Embora o partido tenha descartado um apoio institucional à candidatura de Flávio Bolsonaro e também não tenha aderido à campanha de Lula, a neutralidade não impede que filiados manifestem posicionamentos individuais, desde que observadas as regras internas da legenda.
A definição encerra um dos principais debates políticos travados nas últimas semanas dentro do Republicanos e estabelece oficialmente o posicionamento da sigla para a disputa presidencial de 2026.
Fonte: Caldeirão Político




