CPI do INSS: relatório final propõe indiciamento de Lulinha e mais de 200 pessoas
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apresentou, nesta sexta-feira (27), o relatório final que propõe o indiciamento de mais de 200 pessoas por suspeitas de participação em um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.
O parecer começou a ser lido pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), durante sessão do colegiado. O documento, no entanto, ainda precisa ser votado pelos integrantes da comissão, que decidirão se aprovam ou não as recomendações e pedidos de indiciamento.
Entre os nomes citados está o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele passou a ser investigado por suposta relação com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema.
Também figuram na lista o senador Weverton Rocha (PDT-MA), o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, além de empresários, executivos do setor financeiro e servidores públicos. Ao todo, o relator pede o indiciamento de 216 investigados.
No relatório, Gaspar detalha indícios de irregularidades envolvendo instituições financeiras. Ao justificar o pedido de indiciamento do empresário Daniel Vorcaro, ligado ao banco Master, o relator afirma que foram identificados padrões preocupantes, como o aumento expressivo no número de contratos associado a um alto volume de reclamações de beneficiários.
Segundo o deputado, há indícios de concessão de crédito e aplicação de descontos sem o consentimento válido de aposentados e pensionistas, além de falhas no controle e na fiscalização dessas operações.
A votação do relatório foi convocada na véspera pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impediu a prorrogação dos trabalhos da comissão.
O prazo de funcionamento do colegiado termina neste sábado (28), o que deve levar a sessão a se estender pela madrugada. O documento final tem cerca de 4,4 mil páginas e foi apresentado minutos antes do início da reunião.
Caso aprovado, o relatório será encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por avaliar se apresenta denúncias formais contra os investigados.
A CPMI foi criada para apurar suspeitas de descontos irregulares aplicados diretamente em benefícios previdenciários, principalmente por meio de entidades associativas, sem autorização dos aposentados e pensionistas.
O pedido de criação ocorreu em 2025, após investigações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) apontarem a existência de um esquema bilionário de cobranças indevidas.
Instalada em 20 de agosto de 2025, a comissão ouviu, ao longo de cerca de seis meses, servidores do INSS, representantes de entidades investigadas, aposentados prejudicados, além de integrantes da PF, da CGU e do Ministério da Previdência.
As apurações indicaram fragilidades no sistema de autorização de descontos e falhas nos mecanismos de fiscalização, o que teria permitido a ocorrência das irregularidades em larga escala.
Principais nomes com pedido de indiciamento
Entre os citados no relatório estão:
- Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) – empresário
- José Carlos Oliveira, que mudou o nome para Mohamad Oliveira Andrade — ex-ministro do Trabalho e Previdência no governo Jair Bolsonaro
- Carlos Lupi — ex-ministro da Previdência no atual governo Lula
- José Sarney Filho (Zequinha Sarney) — ex-deputado federal e ex-ministro do Meio Ambiente
- Pedro Alves Corrêa Neto — ex-secretário de Inovação do Ministério da Agricultura
- Vanessa Barramacher Tocantins — ex-chefe de gabinete do Ministério da Previdência Social
- Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) — deputado federal
- Gorete Pereira (MDB-CE) — deputada federal
- Weverton Rocha (PDT-MA) — senador
- Daniel Vorcaro — sócio e controlador do banco Master
- Artur Ildefonso Brotto Azevedo — executivo do Banco C6 Consignado S.A
- Augusto Ferreira Lima — executivo do Banco Master S.A
- Eduardo Chedid — executivo do PicPay Bank – Banco Múltiplo S.A
- Alan do Nascimento Santos — diretor de Relacionamento e Negócios da Dataprev
- Alessandro Antônio Stefanutto — ex-presidente do INSS nesta gestão do governo Lula
- Leonardo Rolim — ex-presidente do INSS na gestão de Jair Bolsonaro
- Glauco André Fonseca Wamburg — ex-presidente do INSS no início da atual gestão Lula
- André Paulo Félix Fidélis — ex-diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão (Dirben) do INSS
- Rogério Soares de Souza — servidor de carreira do INSS
- Ina Maria Lima da Silva — servidora ativa do INSS e integrante do conselho fiscal da Unaspub
- Jucimar Fonseca da Silva — servidor do INSS e ex-vereador
- Rodrigo Ortiz D’Avila Assumpção — ex-diretor-presidente da Dataprev
- Sebastião Faustino de Paula — ex-diretor de Benefícios do INSS
- Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho — ex-procurador-geral da Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS (PFE-INSS)
- Thaísa Hoffmann Jonasson — esposa do ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho
- Wilson de Morais Gaby — ex-servidor do INSS
- Heitor Souza Cunha — funcionário da Caixa Econômica Federal
- Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”
- Carlos Roberto Ferreira Lopes — presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer)
- Aristides Veras dos Santos — ex-dirigente da Contag
- Marcos dos Santos Monte — apontado pela CPMI como braço tecnológico e operacional da organização criminosa
- Maurício Camisotti — empresário
- Nelson Wilians Fratoni Rodrigues — advogado
- Philipe Roters Coutinho — ex-agente da Polícia Federal
- Rodrigo Moraes — empresário
- Romeu Carvalho Antunes — filho do “Careca do INSS”
- Tânia Carvalho dos Santos — esposa de Antonio Carlos Camilo Antunes
- Roberta Moreira Luchsinger — segundo a CPMI, atuou de forma estratégica no núcleo político da organização criminosa
A lista completa, com todos os 216 nomes, consta no relatório final apresentado pela comissão.
Fonte: Primeira Página




