Mato Grosso

Tarifaço já causa demissões e férias coletivas no setor madeireiro, diz Cipem

O presidente do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem-MT), Ednei Blasius, revela que já há linhas de produção paralisadas no estado por causa do “tarifaço” de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a vários produtos exportados pelo Brasil . Ednei afirma que empresas já estudam dar férias coletivas para seus funcionários ou promover demissões. Acontece que apenas a madeira serrada bruta ficou de fora das altas tarifas impostas pelo governo norte-americano.

“Nós temos empresa hoje que já anunciou a demissão de mais de 150 pessoas. Até para aguardar, até porque o empresário não tem condições. Nós temos que trabalhar também em estratégia para tentar viabilizar isso, talvez melhorar o diálogo e ver se a gente consegue reorganizar essa taxação”, pede, ressaltando que o setor é altamente especializado para atender o mercado americano e que, por isso, tem dificuldades em trocar de mercado e realocar o setor.

Declarações foram feitas durante evento promovido pela Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) para debater os reflexos do tarifaço. Em Mato Grosso, o setor mais afetado é o da madeira. O presidente do Cipem explica que a maior parte da madeira que Mato Grosso exporta já é beneficiada, com destaque para os decks e pisos com e sem verniz. “E, neste momento, nós não temos nenhuma solução. Hoje, na situação atual, todo esse produto que vai para o mercado americano está taxado com 50% de tarifa. E é a total inviabilização desse produto do Brasil, do Mato Grosso, para o cliente norte-americano”, desabafa.

O representante das indústrias do setor madeireiro reclama que não vê atuação prática do governo federal para resolver a situação e que o governo americano também não dá sinais de que pretende retroceder. “O fato é que a taxação hoje implica em paralisação de linhas de produção e com a possibilidade de perdas de emprego”, lamenta.

Pacote do Governo Federal

O presidente do Cipem se mostra cético quanto ao socorro de R$ 30 bilhões anunciado pelo Governo Lula (PT)aos setores impactados pelo tarifaço. Segundo ele, é preciso saber se de fato os empresários vão conseguir ter acesso a estes recursos. Além disso, Ednei frisa que a medida é paliativa para o setor da madeira, que só vai “respirar aliviada” quando o tarifaço for amenizado ou revogado.

“Eu não tenho condição de realocar esse produto, como exemplo o piso, nem em outro mercado – europeu, nem asiático -, nem em outra forma, porque ele é especificamente para o mercado americano”, diz, pedindo que o Governo Federal siga dialogando.

 

Fonte: RD News/Patricia Sanches e Thalita Queiroz

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