Artigo-Opinião

Somos atores em nosso cotidiano? Por Por Sidney Mantoan

Será que, de alguma forma, todos nós somos atores em nosso cotidiano? A vida, com suas exigências e expectativas, muitas vezes nos coloca diante de um palco invisível, onde representamos papéis de acordo com os cenários e com as pessoas que nos cercam. No trabalho, vestimos a máscara da seriedade e da competência; reunido em família, muitas vezes assumimos o papel de protetor, conselheiro ou aquele que traz leveza; entre amigos, interpretamos o personagem do companheiro divertido, disponível e compreensivo.

É interessante pensar que essas representações não são mentiras, mas facetas diferentes de quem somos. Tal como um ator que mergulha em vários personagens sem perder sua essência, nós também transitamos entre versões de nós mesmos em nosso cotidiano. Há dias em que o sorriso é espontâneo, verdadeiro, e outros em que ele se transforma em um recurso para esconder as nossas fragilidades. Há momentos em que demonstramos força e coragem, mesmo quando, por dentro, trememos de insegurança.

Se a vida fosse um filme, talvez cada um de nós merecesse uma indicação ao maior prêmio da Academia de Hollywood. Afinal, quantos de nós já não fizemos verdadeiras performances dignas de receber uma estatueta do “Oscar” ao manter a compostura em meio a uma tempestade emocional? Quantos já não ensaiaram frases de consolo que não sentiam, apenas para não ferir alguém? Quantos já não improvisaram diante das surpresas do destino, transformando improviso em espetáculo?

O curioso é que, ao contrário do cinema, a vida não nos permite cortes, regravações ou ensaios. O que apresentamos no palco do dia a dia é único, irrepetível e cheio de improvisos. Talvez seja isso que torna cada um de nós um ator ainda mais extraordinário: não interpretamos personagens fictícios, mas sim variações reais de nós mesmos, moldadas pelas circunstâncias do cotidiano e pelas experiências de vida.

Respondendo à pergunta, penso que sim, somos atores não no sentido de enganar, mas de sobreviver, de nos adaptar e de comunicar aquilo que, de outro modo, não caberia em palavras. E, mesmo sem tapetes vermelhos ou estatuetas douradas, cada um carrega dentro de si a honra de representar, com dignidade, o papel mais difícil e mais autêntico: o de ser humano de bem com a vida.

Livro de Provérbios 4:23
¨Guarda com toda a diligência o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida¨

Por Sidney Mantoan
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