A Interiorização da Violência: O Alerta Vermelho de Pontes e Lacerda
Como ex-prefeito, conheço de perto a realidade dos nossos municípios.
Sei que a vida no interior de Mato Grosso é movida pelo trabalho, pela esperança das famílias e pelo desejo de um futuro melhor para nossos filhos. No entanto, tenho acompanhado, com profunda indignação e preocupação, um fenômeno que está mudando a face das nossas cidades: a migração desenfreada das facções criminosas da capital em direção ao interior. Segundo os dados do 7º Anuário da Secretaria de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso(Sesp) apontam uma taxa de 39,2 assassinatos por 100 mil habitantes – índice mais alto do estado. E colocam além de Pontes e Lacerda no topo, cidades como Juina, em quinto lugar, Tangará da Serra, em sexto, Sinop em oitavo, e Cuiabá na décima terceira posição entre as quinze primeiras colocadas. Essa configuração geográfica dos índices de criminalidade reforça a necessidade urgente de estratégias direcionadas para o interior, onde a dinâmica das ocorrências exige um olhar atento às especificidades socioeconômicas e de ocupação urbana que permeiam essas localidades.
Esses dados mostram que o cenário de violência que transformou Pontes e Lacerda na região mais letal do nosso estado não é um caso isolado. É o sintoma de uma doença que se espalha silenciosamente pelas rodovias e estradas vicinais. O que antes víamos restrito aos grandes centros urbanos agora bate à porta das nossas casas no interior. A disputa por território, o tráfico de entorpecentes e a presença ostensiva do crime organizado estão sequestrando a paz do cidadão mato-grossense.
O Interior não pode ser refém
Não podemos aceitar que a nossa vocação, que é produzir e prosperar, seja sufocada pela insegurança. Quando facções se instalam em municípios do interior, elas não apenas trazem a morte e o conflito, elas destroem a economia local, afastam investimentos e intimidam o homem do campo e o pequeno comerciante. A “guerra” que hoje sangra nessas cidades é um aviso de que, se não agirmos agora com firmeza e planejamento, nenhuma cidade estará imune.
A segurança pública não pode ser tratada de forma centralizada. O crime se modernizou, se expandiu e mudou suas táticas. Nós, enquanto sociedade e poder público, precisamos estar dois passos à frente.
Para combater esse avanço, não bastam discursos; precisamos de uma estratégia de Estado que priorize a inteligência e a presença efetiva.
A segurança é o alicerce fundamental de qualquer sociedade. Se não tivermos o direito de ir e vir, se o medo dominar as nossas praças e comércios, tudo o que construímos até aqui estará em risco.
Não vamos entregar o nosso interior para o crime. Nossas cidades merecem a paz que construímos com tanto suor. É hora de união, de prosperar, de coragem e, acima de tudo, de ação.
Carlos Sirena
Ex-prefeito de Juara e pré-candidato a deputado estadual.



