A trajetória de um pioneiro que ajudou a construir Juara; Antônio Corrêa de Faria
Movido pelo desejo de adquirir terras férteis para o plantio de café, Antônio chegou a Juara
A história de Juara é marcada por homens e mulheres que enfrentaram grandes desafios em busca de desenvolvimento e oportunidades. Entre esses nomes está Antônio Corrêa de Faria, mineiro de Manhuaçu, nascido em 1919, que se tornou um dos pioneiros na região norte de Mato Grosso.
Antônio chegou ao Estado de Mato Grosso no ano de 1972, fixando-se inicialmente em Juscimeira, onde sua filha mais velha atuava como bioquímica em um hospital. Movido pelo desejo de adquirir terras férteis para o plantio de café, seguiu viagem pelo norte do Estado, passando por diversos municípios, entre eles Sinop, até encontrar, em Juara, o local ideal para concretizar seu projeto.
Entre 1976 e 1977, adquiriu sua primeira área rural na região do Pé de Galinha, Gleba Taquaral. Naquele período, Juara ainda integrava o município de Porto dos Gaúchos, e o registro da propriedade foi realizado em Diamantino-MT. Para iniciar o trabalho, Antônio precisou recorrer a financiamento para a compra de uma moto serra, ferramenta essencial para a abertura da terra.

As condições eram precárias. O pioneiro construiu um barraco de lona e alternava períodos de permanência em Juara com retornos a Juscimeira. O deslocamento era feito de Fusca até São José do Rio Claro, seguido de travessia de balsa até Porto dos Gaúchos. As dificuldades com alimentação eram frequentes, chegando a se alimentar de bolachas molhadas na água do rio.
Mesmo diante das adversidades, Antônio nunca esteve sozinho. Sua esposa, Ceci Maria, acompanhava-o sempre que possível, demonstrando coragem e resiliência diante das dificuldades do novo território.
Além da produção agrícola, Antônio contribuiu para o desenvolvimento local ao comercializar bezerras de leite trazidas da região de Juscimeira, atendendo outros pioneiros que iniciavam suas atividades em Juara. Em 1979, trouxe uma família de Rondonópolis para o plantio de algodão, preparando o solo para a futura lavoura de café.
Com o tempo, consolidou sua produção agrícola, plantando café, milho e arroz, além de gerar empregos e movimentar a economia local. Pai de 11 filhos sendo: Maria, Célia, Júlia, Antônio, Justino, José, Vicente, Ana, Luiz Sérgio, Zélia e Cláudio, sempre valorizou a educação, garantindo que todos tivessem acesso ao ensino superior.
Após alguns anos, construiu uma casa de madeira no sítio, ainda sem água encanada e banheiro. A descoberta de uma nascente permitiu o encanamento da água até a residência, representando uma significativa melhoria nas condições de vida.

Antônio Corrêa de Faria adoeceu em Juara e precisou se afastar para tratamento médico, quando foi diagnosticado com doença de Crohn. Mesmo com a saúde debilitada, retornava sempre que possível. Com o agravamento do quadro, permaneceu em centros médicos especializados, onde faleceu em 1999.
O senhor Antônio Corrêa de Faria fez parte da reserva do Exército Brasileiro por quatro anos, período em que aguardou uma possível convocação para a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Graças a Deus, não chegou a ser chamado.
Por convicção pessoal, nunca quis receber aposentadoria ou qualquer benefício do Exército em razão desse tempo de serviço, pois não era favorável à guerra. Sua postura revela um homem de princípios firmes, guiado pela consciência, pela fé e pelo desejo de paz.
Seu legado permanece vivo por meio dos filhos, que deram continuidade às atividades agrícolas e pecuárias, mas, sobretudo, preservaram os valores transmitidos pelo pioneiro: dignidade, caráter e honestidade.
Adaptado Por Sidney Mantoan
Fonte das imagens e narrativa da história: Lindamir Bortolon de Faria


