Brasil

Bolsonaro atribui sanções dos EUA a declarações de Lula sobre moeda no Brics

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (19) que a elevação das tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros — fixadas em 50% por decisão de Donald Trump — reflete o desconforto da Casa Branca diante de posicionamentos recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Lula insiste em se alinhar a regimes autoritários: China, Rússia, Irã, Venezuela”, declarou Bolsonaro a jornalistas. “Além disso, o governo americano se irritou, e muito, quando Lula, durante reunião do Brics, sugeriu criar uma nova referência monetária, excluindo o dólar das transações entre os países do bloco.”

No mesmo dia, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), impôs uma série de medidas restritivas contra Bolsonaro: uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com outros investigados e busca em sua residência.

Na decisão, Moraes apontou indícios da atuação coordenada entre Jair e Eduardo Bolsonaro, deputado federal licenciado, para sabotar a estabilidade institucional e econômica do país, além de pressionar o Judiciário.

Segundo o ministro, o objetivo do grupo seria manipular o curso de processos judiciais e enfraquecer a soberania nacional.

Na semana passada, ao justificar a imposição das tarifas, Trump mencionou uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro, em alusão aos inquéritos em andamento no STF.

Investigadores brasileiros atribuem a Eduardo a articulação junto ao governo americano para estabelecer as sanções, como forma de retaliar autoridades brasileiras e tentar frear o avanço da investigação contra o ex-presidente.

Críticas a Lula
Durante a entrevista, Bolsonaro criticou o comportamento diplomático de Lula: “Ele vive cutucando os Estados Unidos”, disse. E relembrou o apoio declarado do petista à democrata Kamala Harris nas últimas eleições norte-americanas — vencidas por Trump. “Quer ser tratado com cordialidade?”, ironizou.

Apesar das críticas, Bolsonaro reconheceu a necessidade de diálogo entre os dois países, para mitigar impactos sobre empresas e consumidores.

Ao comentar a inclusão do sistema Pix em investigações comerciais conduzidas pelos EUA, o ex-presidente saiu em defesa da ferramenta, argumentando que ela causou prejuízos ao setor bancário tradicional.

Do Estadão Conteúdo

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