Mato Grosso

Candidato da direita ao governo de MT deve trocar vice. Maluf acusa Wellington de não ter palavra

As eleições de 2026 ainda nem ganharam as ruas, mas os bastidores da disputa pelo Palácio Paiaguás já vivem uma de suas maiores crises. O rompimento entre o empresário Marcelo Maluf e o senador Wellington Fagundes (PL) escancarou uma guerra interna que atinge diretamente o Partido Novo, coloca em xeque a condução política da campanha liberal e lança dúvidas sobre o espaço que a legenda terá na disputa estadual.

A crise veio à tona depois que Marcelo Maluf divulgou uma nota pública na qual acusa Wellington Fagundes de descumprir um compromisso político firmado durante a construção da chapa majoritária. Segundo o empresário, ele foi comunicado pelo próprio senador de que não será mais o candidato a vice-governador, apesar de afirmar que a decisão de integrá-lo à chapa havia sido construída, formalizada dentro do processo partidário e consolidada durante a convenção.

O episódio ganha contornos ainda mais delicados porque Maluf não era apenas um nome cogitado para a vice. O empresário havia sido lançado pelo Novo como pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, assumindo a missão de liderar um projeto próprio da legenda. No decorrer das negociações, entretanto, retirou sua candidatura para atender ao convite de Wellington Fagundes e integrar a chapa como vice-governador. Na prática, abriu mão de disputar o comando do Estado para fortalecer uma aliança que, segundo ele, acabou sendo desfeita de forma unilateral.

Na nota, Maluf afirma que aceitou o convite acreditando na palavra empenhada e na seriedade dos compromissos assumidos. Segundo ele, a decisão não nasceu de uma conversa informal, mas de um acordo político que mobilizou lideranças, estruturou estratégias eleitorais e colocou toda uma campanha em andamento.

O empresário afirma que, ao ser informado de sua retirada da chapa, percebeu que o problema não era apenas a troca de um candidato, mas a forma como a política vinha sendo conduzida. Em um dos trechos mais duros da manifestação, sustenta que política se faz com responsabilidade, compromisso, seriedade e, sobretudo, com palavra, acrescentando que Wellington Fagundes e o PL de Mato Grosso demonstraram enorme dificuldade em compreender esses princípios, contribuindo, segundo ele, para “apodrecer a boa política”.

Maluf também faz um ataque direto à credibilidade do senador. Na avaliação do empresário, quem pretende governar Mato Grosso precisa demonstrar que sua palavra possui valor, respeitando compromissos assumidos, aliados e pessoas que aceitaram caminhar ao seu lado. Em seguida, faz o questionamento mais contundente da nota ao afirmar, em síntese, que não é possível pedir a confiança de mais de três milhões de mato-grossenses quando não se consegue honrar compromissos assumidos dentro da própria estrutura política.

Ainda segundo Maluf, a decisão representa uma falta de respeito não apenas à sua pessoa, mas a todo o projeto político que vinha sendo construído. Ele afirma que pessoas foram mobilizadas, compromissos foram assumidos e apoiadores acreditaram em uma composição que acabou sendo simplesmente descartada. “Não faço política dessa maneira e não aceitarei naturalizar esse tipo de comportamento”, declarou.

O empresário também afirma que Mato Grosso merece uma política marcada pela previsibilidade, seriedade e respeito aos acordos firmados. Na nota, ele sustenta que quem altera compromissos conforme as conveniências do momento precisa explicar à sociedade por que sua palavra de hoje deveria merecer confiança amanhã.

Ao encerrar a manifestação, Maluf afirma deixar o episódio com a consciência tranquila por ter cumprido rigorosamente tudo aquilo que assumiu. Segundo ele, caberá agora aos responsáveis pela mudança responder pelas escolhas realizadas e pela forma como decidiram conduzir o processo.

A crise também expõe um cenário de perda de protagonismo do Partido Novo. Nas eleições municipais de 2024, a legenda ocupou posição central na chapa vencedora de Abilio Brunini à Prefeitura de Cuiabá, elegendo a coronel Vânia Rosa para a vice-prefeitura e consolidando espaço relevante na política da Capital. Dois anos depois, o partido iniciou o processo eleitoral lançando candidatura própria ao Governo do Estado, mas retirou Marcelo Maluf da disputa para integrar a chapa de Wellington Fagundes.

Agora, diante da possibilidade de outro nome ocupar a vaga de vice, o Novo corre o risco de chegar à eleição sem candidatura própria ao Governo e também sem o espaço na chapa majoritária que motivou a construção da aliança com o PL. Nos bastidores, cresce a avaliação de que a legenda deixou de ocupar o banco da frente das articulações para assumir um papel secundário, dependendo das decisões tomadas pelo grupo político comandado por Wellington.

O episódio ainda revela uma evidente contradição política. Há poucas semanas, o próprio Wellington Fagundes defendia publicamente a presença de Marcelo Maluf na chapa, classificando a composição como desejável e destacando que o empresário ajudaria a ampliar a representatividade da Baixada Cuiabana no projeto eleitoral. Agora, segundo a versão apresentada por Maluf, foi o próprio senador quem comunicou que outro nome ocupará a vaga.

Até o momento, Wellington Fagundes não apresentou publicamente sua versão sobre as acusações feitas por Marcelo Maluf nem anunciou oficialmente quem deverá ocupar a vaga de vice-governador.

Enquanto a definição não ocorre, a nota divulgada pelo empresário já produz efeitos políticos. Muito além de uma simples troca de nomes, o documento transforma uma disputa interna em um debate sobre confiança, palavra e credibilidade, justamente no momento em que os candidatos começam a pedir ao eleitor mato-grossense um voto de confiança para governar o Estado pelos próximos quatro anos.

VEJA A NOTA

NOTA À IMPRENSA

Política se faz com responsabilidade, compromisso, seriedade e, sobretudo, palavra. Infelizmente, o senador Wellington Fagundes e o Partido Liberal de Mato Grosso demonstraram enorme dificuldade em compreender o significado desses princípios – o que só contribui para apodrecer a boa política.

Aceitei o convite para integrar, como candidato a vice-governador, a chapa liderada pelo senador Wellington Fagundes. A decisão não foi fruto de uma conversa informal ou de uma possibilidade lançada ao acaso. Foi uma escolha política apresentada, construída e formalizada dentro do processo partidário, inclusive com a realização da convenção.

A partir dessa decisão, compromissos foram assumidos, pessoas foram mobilizadas, estratégias foram definidas e todo um projeto de campanha começou a ser estruturado. Fiz isso de boa-fé, acreditando na palavra empenhada e na seriedade de uma decisão tomada por quem pretende governar Mato Grosso.

Hoje fui comunicado pelo senador Wellington Fagundes de que outro nome será indicado para ocupar a vaga de vice.

Não se trata apenas de uma mudança de candidatura. Trata-se da forma como a política é conduzida.

Quem pretende governar um Estado precisa, antes de tudo, demonstrar que sua palavra tem valor. Precisa respeitar compromissos, aliados e pessoas que aceitaram caminhar ao seu lado. Não é possível pedir confiança a mais de três milhões de mato-grossenses quando não se consegue honrar compromissos assumidos dentro da própria casa.

O que ocorreu comigo representa uma falta de respeito não apenas pessoal, mas política. Um projeto foi prejudicado, pessoas que acreditaram nele foram desconsideradas e compromissos formalmente construídos foram simplesmente descartados.

Não faço política dessa maneira e não aceitarei naturalizar esse tipo de comportamento.

Mato Grosso merece uma política feita com seriedade, previsibilidade e respeito. Quem muda compromissos conforme as conveniências do momento precisa explicar à sociedade por que sua palavra de hoje deverá merecer confiança amanhã.

Saio deste episódio com a consciência tranquila. Cumpri rigorosamente aquilo que assumi. Outros terão de responder pelas escolhas que fizeram e pela maneira como decidiram fazê-las.

Marcelo Maluf

 

Fonte: Redação/JB News

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo
Site Protection is enabled by using WP Site Protector from Exattosoft.com