Porto dos Gaúchos

Fazendeiro que matou agrônomo em Porto dos Gaúchos tem 61 dias de pena reduzida por trabalho na cadeia

Condenado pela morte do engenheiro agrônomo Silas Henrique Palmieri Maia, o fazendeiro Paulo Faruk de Moraes conseguiu mais um abatimento no tempo que terá de passar preso. Desta vez, foram 61 dias de pena reduzidos porque ele trabalhou durante o período em que esteve preso.

A decisão é do juiz Thiago Rais de Castro e foi proferida no dia 4 deste mês. Segundo a ordem judicial, Faruk comprovou ter trabalhado durante 181 dias na cadeia, cumprindo jornada de oito horas por dia. Pela legislação, o trabalho prisional permite a remição da pena, e o cálculo garantiu ao condenado o desconto de 61 dias.

Faruk foi condenado inicialmente a 15 anos de prisão pelo assassinato de Silas, morto com tiros na cabeça em fevereiro de 2019, em Porto dos Gaúchos. Posteriormente, em agosto de 2024, a Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso reduziu a pena para 12 anos e 6 meses após reconhecer a confissão como circunstância para diminuir a condenação.

O fazendeiro também ganhou o abatimento pelos dias trabalhados dentro da prisão. O crime  aconteceu em plena luz do dia e foi registrado por câmeras de segurança. Era por volta das 13h do dia 18 de fevereiro de 2019 quando Silas estava sentado à mesa com uma testemunha na lanchonete Fogão a Lenha, na rodoviária do povoado Novo Paraná, em Porto dos Gaúchos.

Sem perceber o que estava prestes a acontecer, o agrônomo foi surpreendido por Faruk, que chegou por trás, armado. O fazendeiro sacou uma pistola e disparou contra a cabeça da vítima. Silas caiu sem reação. Na sequência, Faruk deixou o local andando em direção ao próprio veículo e ainda olhou para trás para conferir se havia conseguido matar o agrônomo.

As imagens das câmeras de segurança foram fundamentais para a investigação. Silas trabalhava para uma empresa que comercializava insumos agropecuários e havia ido até o município para cobrar uma dívida de Faruk. A cobrança teria irritado o produtor rural e, segundo a investigação, acabou servindo de pano de fundo para o assassinato. O próprio fazendeiro confessou o crime.

Depois de ser preso em 2019, Faruk acabou colocado em liberdade em 2020, mediante medidas cautelares e uso de tornozeleira eletrônica. Na época, pesaram a favor dele fatores como ser réu primário, ter confessado o assassinato, ter se apresentado à polícia e sua idade. A defesa chegou a tentar transformar o período usando tornozeleira em tempo de pena cumprida. O pedido, porém, foi barrado pela Justiça.

Em agosto de 2025, a Primeira Câmara Criminal do TJMT manteve a negativa e entendeu que o simples uso do equipamento eletrônico não significava, por si só, uma restrição efetiva à liberdade de locomoção. O relator, desembargador Wesley Sanchez Lacerda, destacou que eventuais problemas de sinal ou necessidade de justificar falhas no equipamento não significavam que Faruk estivesse efetivamente impedido de circular.

Com o trânsito em julgado da condenação, em fevereiro de 2025, ele voltou ao regime fechado. O julgamento de Faruk só aconteceu em 7 de fevereiro de 2024, depois de ser adiado diversas vezes.

Fonte: Redação

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