Mato Grosso

“Sonhava conhecer o pai, mas encontrou a morte”: advogada expõe drama da família de Olga Beatriz, menina de 12 anos assassinada em Várzea Grande

A morte da adolescente Olga Beatriz de Santo Silva, de apenas 12 anos, continua provocando indignação e comoção em Mato Grosso. O caso, que ganhou repercussão estadual nos últimos dias, ganhou novos contornos após declarações da advogada da família, Dayane Rodrigues, que acompanha de perto as investigações sobre a morte da menina, ocorrida no último domingo (7), no bairro Serra Dourada, em Várzea Grande.

Olga morreu após sofrer agressões que, segundo a investigação, teriam sido praticadas pelo próprio pai, Claudinei da Silva, de 42 anos, preso em flagrante. O crime chocou a opinião pública não apenas pela brutalidade, mas pela história que o antecede. Segundo familiares, a adolescente sonhava em conhecer o pai biológico, com quem não mantinha convivência durante grande parte da vida. No entanto, de acordo com a advogada, foi o próprio Claudinei quem procurou a família da menina para restabelecer os laços e iniciar uma aproximação.

“A Olga tinha o desejo de conhecer o pai, mas a mãe nunca foi atrás. Foi o pai quem procurou a família dele para conversar com a mãe e promover essa reaproximação”, afirmou Dayane Rodrigues.

A narrativa reforça uma das maiores dores enfrentadas pela família: a expectativa criada pela adolescente em relação ao reencontro com o pai acabou se transformando em uma tragédia que culminou na sua morte poucos dias depois do início da convivência.

Outro ponto que permanece cercado de dúvidas é a motivação do crime. Em depoimento preliminar, Claudinei teria alegado que a filha estaria envolvida em conversas de conteúdo sexual com um rapaz. A versão, entretanto, é contestada pela mãe da menina. Conforme relatado pela advogada, Olga não possuía telefone celular próprio e utilizava os aparelhos dos pais para manter contato com ambos. Além disso, familiares afirmam que a adolescente tinha comportamento compatível com sua idade e mantinha amizade principalmente com crianças mais novas.

“Ela não tinha celular. Conversava com o pai pelo telefone da mãe e conversava com a mãe pelo telefone do pai. A polícia está investigando qual foi a real motivação. Existem várias hipóteses sendo analisadas. Não sabemos se houve influência de álcool, drogas ou qualquer outro fator. Tudo isso ainda precisa ser esclarecido”, explicou a advogada.

Dayane destaca que a investigação ainda está em fase inicial e que diversas testemunhas deverão ser ouvidas antes da definição de uma linha acusatória definitiva. Segundo ela, embora os indícios apontem para um caso de feminicídio, a coleta de provas e a análise dos depoimentos serão fundamentais para esclarecer todas as circunstâncias do crime.

“Está tudo muito cedo ainda. Existem muitas pessoas para serem ouvidas. Precisamos entender o que cada uma viu, ouviu ou sabe sobre os fatos. Só depois disso será possível consolidar uma linha de raciocínio completa sobre o caso”, afirmou.

Enquanto a investigação avança, a família tenta lidar com a perda da adolescente. A advogada descreveu o estado emocional da mãe como devastador. Segundo ela, não existem palavras capazes de traduzir o sofrimento vivido pela mulher desde a morte da filha.

“A mãe está super abalada. Não tem nem palavras para descrever o sofrimento que ela está enfrentando”, relatou.

O caso segue sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que busca esclarecer a dinâmica do crime e a motivação que levou à morte da adolescente. A expectativa é que laudos periciais, depoimentos e a análise do histórico recente de convivência entre pai e filha ajudem a responder as perguntas que ainda cercam um dos crimes mais chocantes registrados neste ano em Mato Grosso.

A morte de Olga Beatriz reacendeu debates sobre violência contra crianças, proteção de menores em ambientes familiares e os mecanismos de prevenção de tragédias dentro do próprio núcleo familiar. Enquanto a investigação avança, familiares e amigos aguardam que a Justiça esclareça todas as circunstâncias do caso e responsabilize os envolvidos.

JB News

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