Conheça o promotor de Justiça que ‘matou’ Neymar em crônica durante a Copa do Mundo
O promotor de Justiça Jorge Paulo Damante Pereira, membro do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), ganhou destaque nacional ao publicar uma crônica no site oficial do órgão intitulado “Morre Neymar Jr.”. No texto, ambientado em 2082, o autor simula o falecimento fictício de Neymar aos 90 anos, utilizando o episódio como metáfora para questionar a cultura do cancelamento e o papel das redes sociais na disseminação de discursos de ódio. Publicada durante a Copa do Mundo, uma peça literária provocou evento imediato e o MPMT retirou o link do ar poucas horas depois da veiculação.
Natural de São Paulo, Jorge Paulo Damante Pereira é formado em História e em Direito, com mestrado em Direito pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Antes de ingressar no Ministério Público de Mato Grosso, atuou na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, trabalhou no Ministério Público Federal (MPF) e no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15). Aprovado em concurso público, Pereira assumiu seu primeiro cargo no MPMT em maio de 2006. Desde então, passou por comarcas do interior, como Porto dos Gaúchos e Canarana, e desempenhou funções na área criminal em Rondonópolis.
Na crônica “Morre Neymar Jr.”, o promotor projeta um futuro em que o ex-atleta viria a falecer por causas naturais durante uma edição fictícia da Copa do Mundo realizada na Palestina. O texto também inclui “previsões” satíricas sobre a participação da Seleção Brasileira na Copa de 2026, demonstrando que o país enfrentaria desafios fora dos campos. Ao usar o personagem de Neymar – figura pública amplamente reconhecida e símbolo de sucesso, polêmicas e paixão nacional – Pereira buscou expor aspectos controversos do presente, como o cancelamento coletivo de figuras públicas, a intolerância digital e o avanço de posturas autoritárias.
A repercussão nas redes sociais foi intensa e, em sua maioria, negativa. Internautas consideraram inadequado o uso do portal institucional Muitos órgãos de controle para publicações literárias de caráter opinativo, classificando o título como sensacionalista. Comentários questionaram se um site oficial deve abrigar crônicas que não têm vínculo direto com o trabalho jurídico. Diante das críticas e do desconforto gerado, o Ministério Público de Mato Grosso optou por remover o conteúdo após algumas horas no ar, buscando minimizar o desgaste institucional.
A polêmica reacendeu o debate sobre os limites entre expressão literária e comunicação formal de órgãos públicos. Especialistas em Direito e Comunicação defendem que as instituições estatais devem manter claras sobre suas funções e proteger a seleção de seus canais oficiais. Ainda assim, há quem veja na iniciativa de Pereira a oportunidade de refletir sobre o uso de narrativas ficcionais para discutir temas atuais, desde que haja distinção clara entre opinião e informação pública.
