Inadimplência no campo subiu para 8,3% no 3º trimestre de 2025

Margens apertadas, restrição de crédito e preços das commodities agrícolas sem aumentos expressivos mantiveram os níveis de inadimplência no campo em alta em 2025. Para este ano, há chance de estabilidade no indicador, mas um cenário ainda complexo nos níveis de endividamento dos produtores rurais não está descartado, segundo analistas.
Cerca de 8,3% da população rural estava inadimplente no terceiro trimestre do ano passado, de acordo com análise da Serasa Experian. No mesmo período de 2024 eram 7,4%. Desde o terceiro trimestre de 2023, quando estava em 6,1%, a inadimplência do setor não parou de crescer.
“Tivemos anos de ‘boom’ nas commodities, com muitos produtores fazendo expansão, investindo e baixa inadimplência até 2022/23, mas a condição de mercado que viria a seguir não foi imaginada”, afirma Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa.
Depois de dívidas de longo prazo adquiridas no período de “vacas gordas” no campo, vieram os aumentos de custos de produção, guerra na Ucrânia — importante fornecedora de fertilizantes assim como a Rússia —, queda nos preços das commodities e sucessivos problemas climáticos nas lavouras.
“O histórico era esse, mas o que aconteceu especificamente no ano passado é que os financiamentos ficaram mais restritos, os bancos passaram a pedir mais garantias e a liberação de recursos está menor”, explica Pimenta, citando que a tendência de endividamento em 2025, como um todo.
Guilherme Rios, assessor técnico da comissão nacional de política agrícola da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), acrescenta que “um ambiente macroeconômico adverso e a ausência de ferramentas adequadas de gestão de riscos, como o seguro rural, dificultaram a rolagem de parte das dívidas e culminaram no atual quadro de endividamento”.
Projeções
Rios acredita que o cenário ainda é de apreensão neste ano. “Há muita insegurança entre os agentes financeiros, diante do aumento do endividamento e do número de recuperações judiciais. Ao mesmo tempo, os produtores ainda não encontraram alternativas viáveis para repactuar suas dívidas nas condições que consideram adequadas”, avalia o especialista.
Mesmo diante da expectativa de redução da taxa básica de juros (Selic) ao longo de 2026, esse movimento tende a produzir efeitos apenas de forma gradual e, para a CNA, não será suficiente para resolver a situação dos produtores inadimplentes.
Apesar dessas adversidades, o especialista da Serasa tem uma visão mais otimista. Para ele, ao menos estabilidade na inadimplência está no horizonte de 2026. Isso, se não houver impactos imprevistos, decorrentes de decisões políticas.
“O crédito mais apertado deve inibir o surgimento de novos inadimplentes. Vemos produtores negociando suas dívidas e o preço das commodities pode se manter positivo”, avalia Pimenta.
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