Home Polícia MT registra 70 assassinatos de mulheres apenas este ano

MT registra 70 assassinatos de mulheres apenas este ano

7 min ler
0

Entre janeiro e setembro deste ano, 70 mulheres foram assassinadas em Mato Grosso. Em 36 crimes foram constatados feminicídios (51%). No mesmo período do ano passado, foram 71 mortes, das quais 45 foram feminicídios (63%), que são atos relacionados à condição da vítima de ser mulher. Mas o número pode ser ainda maior, com a conclusão das investigações em muitos casos. Em Cuiabá, em menos de 10 dias, duas mulheres vítimas do crime deixaram 6 crianças órfãs.

A comerciária Fernanda Regina Souza de Lana, 34, vestia o uniforme do supermercado em que atuava quando foi assassinada com golpes na cabeça e teve o corpo escondido debaixo da cama na manhã de sexta-feira (15). Os três filhos com idades de 4, 11 e 13 anos saíram pouco antes, para a casa de uma tia, onde passariam o dia até que ela voltasse do trabalho.

 

Fernanda, segundo familiares informaram ao delegado Anderson Veiga, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), já possuía inclusive medidas protetivas contra o companheiro e principal suspeito do crime. Mas, há 30 dias, decidiu dar mais uma chance e retomar o relacionamento com ele, pois o casal possuía um filho de 4 anos. Na noite anterior, os três filhos que residiam na casa teriam presenciado mais uma briga do casal. Saíram cedo e, logo depois, Fernanda foi morta com uso de objeto contundente, que a feriu mortalmente na cabeça. O suspeito Luís Carlos Moreira não foi localizado. Veiga, que acompanhou a perícia no local do crime, disse que há elementos que apontam para o feminicídio praticado pelo companheiro da vítima.

O corpo foi descoberto por volta das 10h, depois que um chaveiro abriu a porta da residência, no bairro João Bosco Pinheiro, a pedido da família. Os filhos deixaram a casa por volta das 6h30, enquanto ela se preparava para o trabalho. Mas às 9h, familiares receberam telefonema de colegas de trabalho dela perguntando se havia acontecido alguma coisa, pois ela não havia chegado ao serviço e não atendia o celular. Fernanda não costumava atrasar ou faltar.

Vítimas confiam no agressor  

Em grande parte dos feminicídios os crimes acontecem após a vítima dar mais uma chance ao agressor e retomar um relacionamento já marcado pela violência. A delegada Jannira Laranjeira, que atua no Plantão Especializado de Defesa da Mulher da Capital, lembra que em casos de feminicídio que já atuou a vítima confia no agressor, no pai dos filhos, o provedor do lar. Quando ela faz isso ela coloca em risco não só sua vida como das crianças.

Isto porque a cada novo momento de raiva, recaída, desconfiança ou insegurança deste companheiro, ele vai repetir todas as ofensas verbais, agressões físicas, humilhações, pressões, violência psicológica de forma a abalar tanto a mulher como seus filhos. “É lamentável mais uma vez dois casos que ocorreram, tendo em vista que as duas vítimas provavelmente tinham histórico de violência doméstica”.

A delegada lembra que muitas das mulheres não se desvinculam dos agressores por medo. Em depoimento na delegacia alegam que o Estado não vai conseguir trazer a segurança para elas. Foi o caso da auxiliar de enfermagem Josilaine Maria Gomes dos Reis, 32, que teve a porta da casa arrombada pelo ex-marido que na madrugada de 6 de outubro a matou a golpes de faca. A vítima dormia em casa, com os três filhos menores, quando foi atacada na cama pelo assassino que não aceitava o fim do relacionamento.

Gazeta Digital

Carregue mais postagens relacionados
Carregue mais por Porto Notícias
Carregue mais em Polícia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dez + três =

Verifique também

Prefeitura de Porto dos Gaúchos vai implantar programa Porteira Adentro que visa beneficiar pequenos produtores

Pensando no pequeno produtor rural, que muitas vezes não tem condições de arcar com a manu…