Rússia faz maior ataque contra Kiev e mata cerca de 20 pessoas

A Rússia lançou, na madrugada desta quinta-feira (2), um ataque em grande escala contra Kiev, capital da Ucrânia, utilizando mísseis e drones. Segundo autoridades ucranianas, ao menos 17 pessoas morreram e aproximadamente 90 ficaram feridas. O governo russo confirmou a ofensiva e afirmou que a ação teve como alvo estruturas ligadas à indústria de defesa e ao abastecimento de combustíveis da Ucrânia.
De acordo com a Força Aérea Ucraniana, o bombardeio mobilizou 75 mísseis e 496 drones. As forças de defesa aérea informaram que conseguiram abater ou neutralizar 524 desses alvos. Além de Kiev, outras regiões do país também registraram ataques durante a madrugada.
Em comunicado, a Força Aérea destacou que a ofensiva teve características diferentes das anteriores.
“A característica distintiva deste ataque massivo é o uso simultâneo de vários tipos de armas de ataque aéreo a partir de diferentes direções, o uso de um grande número de mísseis balísticos e drones a jato.”
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nas redes sociais que o sistema de defesa aérea conseguiu impedir parte dos ataques, mas não evitou todos os impactos.
“As forças de defesa aérea conseguiram abater um número significativo de armas de ataque, mas não todas.”
Segundo as autoridades locais, o número de vítimas pode aumentar, já que equipes de resgate continuam trabalhando em áreas atingidas pelos bombardeios. O Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia (SES) informou que as operações de busca e salvamento ocorrem em 15 locais diferentes da capital.
Rússia diz que ataque atingiu indústria militar
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que a ofensiva teve como alvo empresas da indústria de defesa ucraniana, instalações militares, centros logísticos e estruturas energéticas utilizadas para a produção de armamentos e drones.
Entre os alvos citados está a empresa Radioniks LLC, em Kiev. Segundo Moscou, a companhia fabrica componentes eletrônicos e sistemas de orientação para diferentes tipos de mísseis utilizados pelas Forças Armadas da Ucrânia.
“A Radioniks LLC, empresa de montagem de componentes e radioeletrônica, foi atingida em Kiev. Trata-se de uma importante instalação de pesquisa e produção que fabrica sistemas de orientação para mísseis de cruzeiro de longo alcance Flamingo, mísseis operacionais-táticos FirePoint-7 e -9, mísseis guiados Neptune-MD e mísseis terra-ar (Projeto Clone). Os produtos da empresa também impactam diretamente as capacidades de combate da Força Aérea Ucraniana e sua capacidade de neutralizar sistemas de defesa aérea.”
Ainda conforme o ministério, o bombardeio foi realizado em resposta a ataques promovidos pelas Forças Armadas da Ucrânia contra infraestrutura civil na Rússia durante a mesma madrugada, na região de Nizhny Novgorod.
As autoridades russas informaram que 30 drones ucranianos foram abatidos sobre a região. O ataque deixou um morto e quatro feridos, sendo um deles hospitalizado. Também foram registrados “danos não críticos” em uma instalação industrial e em diversos prédios residenciais provocados pela queda de destroços.
Kremlin promete ampliar pressão sobre Kiev
Após a ofensiva, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que a Rússia continuará intensificando a pressão sobre a Ucrânia para alcançar os objetivos estabelecidos no conflito.
A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em que Peskov comentou a proposta da chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, de ampliar as sanções contra Moscou.
Na quarta-feira (2), Kallas afirmou que os ataques russos contra Kiev só poderão ser interrompidos “por meio do apoio militar contínuo à Ucrânia e do aumento da pressão sobre Moscou”.
“Hoje, proporei a imposição de sanções contra novas organizações que apoiam o complexo militar-industrial russo em resposta aos ataques. […] Aumentaremos o preço até que a Rússia entenda que não pode vencer”, escreveu ela na plataforma X.
Em resposta, Peskov afirmou que Moscou vê a postura da União Europeia como um movimento de militarização e confronto direto com a Rússia.
“O fato de que, à medida que sua identidade de defesa se desenvolve, a União Europeia embarcou em um caminho de militarização e está se dedicando ao confronto com a Federação Russa também é inequívoco. É claro que não podemos ignorar isso.”
Fonte: infoverus.com.br