Mato Grosso

Senadora Margareth admite que articulou reunião com Mauro para evitar Taques em CPI do Banco Master

A senadora Margareth Buzetti (PP) admitiu que intermediou uma reunião entre o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), e o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), com o objetivo de tentar evitar a convocação do ex-governador Pedro Taques para depor sobre o chamado “escândalo dos consignados” em Mato Grosso e possíveis conexões com o Banco Master.

O encontro ocorreu na tarde de quarta-feira (11), no gabinete do relator da CPI, em Brasília. Na ocasião, Mauro Mendes apresentou seus argumentos e documentos ao senador para tentar convencê-lo a não levar adiante o requerimento de convocação de Taques.

A articulação foi confirmada pela própria Margareth Buzetti, que afirmou ter atuado para promover o encontro entre o governador e o relator da comissão. Segundo a parlamentar, a intenção era evitar que a CPI fosse utilizada como instrumento de disputa política.

“O objetivo do senador é simples: não deixar a CPI, que é séria e importante para o país, virar palanque eleitoral para pretensos candidatos”, afirmou Buzetti.

Ela acrescentou que a decisão final sobre eventuais convocações cabe exclusivamente ao relator.

“Se o senador entender que deva ouvir formalmente Pedro Taques ou Mauro Mendes, ele convocará”, declarou.

Questionada sobre os motivos que levariam o governador a tentar impedir que Taques fale sobre as denúncias relacionadas ao sistema de crédito consignado em Mato Grosso, a senadora não respondeu.

Após a reunião, o senador Alessandro Vieira afirmou que recebeu tanto o atual governador quanto o ex-governador e que ambos apresentaram documentos e informações divergentes sobre os fatos investigados.

“Recebi o ex-governador Taques e o atual governador Mendes. Os dois apresentam documentos e informações divergentes sobre os mesmos fatos. Vamos avaliar tudo isso antes de definir os próximos passos”, disse o relator.

Diante das versões apresentadas, a CPI decidiu inicialmente solicitar que ambos encaminhem suas manifestações formais por escrito aos integrantes da comissão. A convocação presencial do ex-governador não foi descartada e poderá voltar a ser analisada posteriormente.

O requerimento apresentado pelo senador Alessandro Vieira para ouvir Taques menciona denúncias sobre possíveis fraudes em contratos de crédito consignado firmados com servidores públicos estaduais. Segundo o documento, há indícios de irregularidades em operações intermediadas pela empresa Capital Consig.

As denúncias apontam que essas operações podem ter causado prejuízos financeiros estimados a cerca de 14 mil servidores públicos de Mato Grosso.

O requerimento também cita suspeitas de que essas operações teriam contado com a intermediação financeira e operacional do conglomerado Banco Master e de empresas associadas à instituição, que teriam participado da estruturação e circulação das operações de crédito consignado investigadas.

Pedro Taques atua atualmente como advogado de sindicatos e associações de servidores públicos nas denúncias relacionadas ao sistema de consignados em Mato Grosso. Ele tem apresentado documentos e representações a diferentes órgãos de controle.

Entre essas iniciativas está um pedido protocolado pelo Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo (Sinpaig) para compartilhamento de provas entre as investigações conduzidas no estado e a Operação Compliance Zero.

A CPI do Crime Organizado investiga possíveis conexões entre instituições financeiras, operações de crédito e estruturas utilizadas para movimentações financeiras suspeitas. O relator ainda analisa os documentos apresentados pelas duas partes antes de decidir se reapresentará ou não o requerimento de convocação do ex-governador Pedro Taques.

Fonte: Daniel Trindade/deixaqueeuteconto

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