Servidores ocupam galerias da ALMT aos gritos de “a greve continua” e Ludio pede que sessão seja suspensa

Os servidores da Educação, que cruzaram os braços no dia 27 de maio, ocuparam as galerias da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) na manhã desta quarta-feira (17) aos gritos de “a greve continua”. Eles cobram dos deputados estaduais uma intervenção junto ao governador Mauro Mendes (DEM) para que suas exigências sejam atendidas.

Os deputados estaduais se reuniram nesta manhã para continuar os trâmites para que a primeira votação dos projetos dos incentivos fiscais aconteça. Na última terça-feira (16), os parlamentares ficaram até meia noite limpando a pauta. No total, foram cinco horas de trabalhos legislativos.

Enquanto a resposta do governador Mauro Mendes à proposta encaminhada pela ALMT para o fim da greve era lido, os servidores fizeram um ‘apitaço’ e gritavam “vergonha”. A categoria recebeu apoio dos deputados da oposição, que usaram a tribuna para cobrar uma solução.

O deputado Ludio Cabral (PT) pediu a suspensão da sessão para que uma solução fosse encontrada. “Se é para sentar na mesa para negociar, encerra tudo aqui, para tudo e vamos para a mesa. Sentar com o governador para encontrar uma solução para a greve. Suspende a sessão, a tramitação de todos os projetos e vamos negociar, encontrar uma solução para o impasse”.

“Esta é a hora da verdade que está colocada para nós. Não basta discurso em apoio, temos que fazer um gesto concreto. Não tem porque colocar em votação o projeto de lei dos incentivos antes de negociar às claras com os servidores”, acrescentou o deputado.

Outro que criticou o governador foi o deputado Valdir Barranco (PT), que pontuou que o governador tem condições de cumprir com o que está sendo pedido pela categoria. “Agora está igual o moleque que é o dono da bola, que fala que se não for do jeito dele, ninguém joga. Está batendo o pé e tem condições de por fim a greve”.

Barranco ainda pediu que seus colegas apresentem uma nova proposta. “Nem que seja mínima. Não é demérito voltar atrás e apresentar uma proposta senhor governador”, acrescentou.

O deputado Max Russi (PSB) cobrou do governador o pagamento dos salários cortados para os profissionais que deixaram a greve. “Vou falar um pouco sobre algumas mensagens que tenho recebido de profissionais da Educação. Alguns deputados receberam, pedindo dinheiro emprestado, de certa forma. Um profissional do interior que disse que havia voltado e não recebeu depois os dias que tinha parado”.

“Hoje recebi de uma professora do município de Dom Aquino, onde todos voltaram a trabalhar e ela deixou de receber quase R$ 5 mil do seu salário. Esta dificuldade tem causado transtorno muito grande dentro da sua casa, da sua família”, completou.

Proposta da ALMT

A proposta, assinada por todos os deputados na Assembleia Legislativa,  e recusada pelo governador contemplava os professores com aumento salarial de 7,69%.

O plano previa que a melhora nos subsídios acontecesse de maneira paulatina, em três etapas. A primeira parte do reajuste proposto pela AL aconteceria agosto e seria de 2,6%. A etapa seguinte, corresponde a também 2,6%, seria concedida em novembro. E terceira e última parcela de reajuste ficaria para fevereiro de 2020 e corresponderia a 2,49%.

Proposta do Executivo

Na última semana, o Executivo se propôs a pagar o reajuste aos profissionais assim que estiver abaixo do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e propôs a restituição do salário cortado durante a greve. Porém, a proposta foi negada pela categoria.

Outros avanços para a categoria já haviam sido anunciados pelo Governo, como investimentos de quase R$ 115 milhões na Educação, ainda este ano.

Segundo estimativa do Governo, serão R$ 52 milhões para o pagamento de 1/3 de férias dos servidores contratados, que passará a ser garantido a partir deste ano; R$ 15,6 milhões para substituição de servidores efetivos que se afastarão para qualificação profissional; e mais R$ 11,9 milhões para substituição de servidores, que sairão de licença-prêmio ou se aposentarão.

Serão investidos ainda R$ 35 milhões para melhoria na infraestrutura das escolas.

Outra reivindicação atendida pelo Governo é o chamamento do cadastro de reserva do concurso público de 2017, que vai contemplar vários municípios de Mato Grosso.

Neste mês de julho, serão chamados 681 profissionais para atuarem em várias escolas estaduais, sendo 221 professores, 300 apoios administrativos e 160 técnicos administrativos educacionais.

Fonte :

Olhar Direto/Wesley Santiago

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