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Vale do Arinos perde representação política após 32 anos na Assembleia Legislativa

Quatro municípios com mais de 40 mil votos não conseguem eleger um único representante; pulverização eleitoral cobra preço e abre um vazio político que agora terá de ser preenchido

Por 32 anos, o Vale do Arinos teve um endereço político na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. A partir de 2027, não terá mais.

O resultado das urnas de 4 de outubro produziu uma situação inédita para Juara, Tabaporã, Porto dos Gaúchos e Novo Horizonte do Norte: os quatro municípios, que juntos concentram uma expressiva força eleitoral, terminaram a eleição sem nenhum representante diretamente identificado com a região na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados.

Mais do que o fim de um ciclo familiar, o resultado escancara um problema que deverá ser discutido pelas lideranças políticas do Vale do Arinos: a região tem votos, mas não conseguiu transformar esses votos em representação.

Durante mais de três décadas, essa representação teve como principal sobrenome a família Riva. A trajetória começou com José Riva, eleito para a Assembleia Legislativa em 1994, e prosseguiu posteriormente com Janaina Riva. Em determinados momentos, o Vale do Arinos chegou a contar ainda com uma representação ampliada, com os deputados estaduais Oscar Bezerra e Luciane Bezerra.

Esse ciclo terminou nas urnas no domingo dia 4 de outubro/2026, quatro candidaturas, nenhuma cadeira conquistada pela região que chegou às eleições com nomes conhecidos e com vínculos políticos locais em diferentes níveis da disputa.

Jéssica Riva concorreu a deputada estadual. Carlos Sirena, ex-prefeito de Juara, também disputou uma cadeira na Assembleia. Sandy de Paula tentou uma vaga na Câmara dos Deputados, enquanto Janaina Riva deixou a disputa estadual para tentar chegar ao Senado.

Nenhum deles conseguiu a eleição.

Jéssica Riva terminou a disputa estadual com 25.979 votos, Carlos Sirena obteve 11.727 e ficaram fora das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa. O resultado mostra, entretanto, que a votação individual não é o único fator determinante nas eleições proporcionais: a distribuição das cadeiras depende também do desempenho dos partidos e federações.

No caso de Sirena, o resultado foi ainda mais emblemático. O candidato terminou em 53º lugar na votação estadual, enquanto a Assembleia elegeu apenas 24 deputados.

Na disputa federal, Sandy de Paula recebeu 9.586 votos e ficou como suplente. Para conquistar uma das oito cadeiras de Mato Grosso na Câmara Federal, o candidato que obteve a menor votação entre os eleitos chegou a 47.195 votos. A diferença evidencia o tamanho do desafio enfrentado pela candidatura de Sandy.

Janaina também fica fora do Senado

A eleição de Janaina Riva ao Senado era vista como outra possibilidade de manutenção de uma representação política ligada ao Vale do Arinos. Não aconteceu.

Com 519.434 votos, Janaina terminou em terceiro lugar. Mauro Mendes foi eleito em primeiro, com 1.187.352 votos, e José Medeiros conquistou a segunda vaga, com 977.777. A diferença de Janaina para Medeiros foi de mais de 458 mil votos.

Com isso, a região perdeu não apenas a possibilidade de manter uma cadeira na Assembleia Legislativa, mas também de ampliar sua presença no Senado.

A ironia das redes sociais esconde um problema maior. Nas redes sociais, o resultado foi rapidamente traduzido por uma frase simples: “a família Riva ficou sem representação depois de 32 anos”.

É uma leitura politicamente compreensível, mas insuficiente, porque, no fim das contas, quem perdeu não foi apenas a família Riva. Quem perdeu foi o Vale do Arinos.

A partir de 2027, quando os novos mandatos começarem, Juara, Tabaporã, Porto dos Gaúchos e Novo Horizonte do Norte não terão um deputado estadual escolhido diretamente pela região para ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Também não haverá um deputado federal originário ou politicamente identificado com o Vale do Arinos para representar suas demandas diretamente na Câmara.

E essa diferença é importante. Uma coisa é ter parlamentares de outras regiões que eventualmente recebam votos no Vale do Arinos e possam atender às demandas locais. Outra, completamente diferente, é ter alguém cuja trajetória política esteja diretamente vinculada à região e que tenha sua principal base eleitoral nela.

Uma parcela dos eleitores escolheu candidatos de fora da região, outra parte dividiu seus votos entre as candidaturas locais. E, no final da apuração, a conta política chegou: muitos votos espalhados, nenhuma cadeira conquistada.

O sistema proporcional torna esse fenômeno ainda mais relevante. Nas eleições para deputado, não basta ser conhecido em uma determinada cidade ou obter uma votação expressiva individualmente. O desempenho da legenda ou federação também pesa na definição das cadeiras.

O caso de Jéssica é um exemplo disso: seus 25.979 votos não foram suficientes para garantir uma cadeira na Assembleia dentro da composição partidária resultante da eleição.

O Vale do Arinos tinha nomes conhecidos, tinha candidatos com trajetória política, tinha uma base eleitoral e tinha votos suficientes para disputar espaço, mas não conseguiu eleger ninguém.

A família Riva, que durante anos esteve entre os principais grupos políticos ligados ao Vale do Arinos, agora está fora dos parlamentos estadual e federal. A imprensa regional e as redes sociais podem chamar isso de fim de uma era.

Mas o verdadeiro desafio começa agora. Sem um representante direto, a região terá de encontrar novos nomes, novas lideranças e, sobretudo, uma forma de transformar os mais de 40 mil votos do Vale do Arinos em força política efetiva.

Porque eleição passa, os mandatos começam e terminam, mas as demandas de Juara, Tabaporã, Porto dos Gaúchos e Novo Horizonte do Norte continuam.

Fonte: Porto Noticias

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