Julgamento: Para criar álibi, ex-marido de Raquel Cattani passou por três casas de prostituição

O julgamento dos irmãos Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, réus pelo feminicídio de Raquel Cattani, que teve início às 8h desta quinta-feira (22), no Fórum de Nova Mutum, já iniciou a oitiva de testemunhas. A primeira ouvida foi o delegado Guilherme Pompeo, responsável pelas investigações do caso.
Durante o depoimento, iniciado às 8h49, o delegado afirmou que, assim que a Polícia Civil tomou conhecimento da suspeita de feminicídio, as equipes foram imediatamente mobilizadas. Segundo o delegado, o ex-marido de Raquel e mandante da morte, Romero Xavier Mengarde, teria passado por três casas de prostituição e permanecido na companhia de funcionários desses estabelecimentos, na intenção de criar um álibi e ficar fora do radar das investigações.
De acordo com o testemunho, imagens de câmeras de segurança registraram o veículo de Romero saindo de Tapurah em direção ao Assentamento Pontal do Marape, local onde o crime ocorreu.
Ele destacou que, inicialmente, a investigação apontava o ex-marido como principal suspeito, o que levou à divisão estratégica das equipes entre Tapurah e o local do crime.
Na sequência do depoimento, às 8h53, o delegado detalhou que foram identificados sinais de arrombamento em uma janela nos fundos da residência, na área dos quartos das crianças, que indicava o ponto de entrada do autor do crime, o irmão de Romero e corréu no tribunal do júri, Rodrigo Xavier Mengarde.
Ainda conforme o depoimento, apenas o quarto da vítima havia sido revirado. O delegado explicou que esse detalhe passou a indicar, posteriormente, uma possível tentativa de forjar a cena do crime, já que outras bolsas não foram mexidas, caixas permaneciam fechadas e não havia sinais de busca generalizada por objetos.
Às 9h, o delegado afirmou que, com o avanço das investigações, a Polícia Civil concluiu que Romero não teria sido o autor direto do homicídio, após a apresentação de um álibi considerado detalhado e consistente sobre seus deslocamentos no dia e horário do crime.
Segundo ele, a equipe passou a concentrar esforços na análise de provas técnicas e digitais, como vestígios no local, dados relacionados ao uso de internet e possíveis acessos a redes wi-fi, além de outros elementos periciais. O delegado ressaltou que o cuidado na construção do álibi chamou a atenção dos investigadores e levou à reavaliação da dinâmica do crime.
Diante disso, a investigação passou a buscar quem teria motivação para executar o homicídio e de que forma ele foi praticado. O delegado informou ainda que a Polícia Civil entrevistou cerca de 155 pessoas, entre trabalhadores e moradores da região, como parte do trabalho de campo para esclarecimento dos fatos.
O crime
Raquel Cattani, produtora rural em Nova Mutum, foi morta a facadas dentro de sua residência no dia 18 de julho de 2024. Rodrigo Xavier Mengarde, ex-cunhado da vítima, é acusado de ter executado o crime, enquanto Romero Xavier Mengarde, ex-marido, responde como autor intelectual, em um caso de ampla repercussão no estado.
Fonte: Mídia Jur/EUZIANY TEODORO






