Lula reencontra Trump e busca consenso sobre comércio e combate ao crime organizado
O combate ao crime organizado transnacional será um dos principais temas da reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcada para esta quinta-feira (7), em Washington. O encontro ocorrerá durante um almoço oficial na capital americana e deve abordar ainda comércio bilateral, geopolítica e exploração de minerais críticos.
A cooperação entre Brasil e Estados Unidos para enfrentar facções criminosas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro estará no centro das discussões.
O governo brasileiro pretende reforçar a posição do país como um ator soberano nas negociações sobre segurança pública internacional, especialmente diante de debates dentro do governo americano sobre classificar organizações criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como grupos terroristas.
A intenção do Palácio do Planalto é avançar em um entendimento mais estruturado sobre o tema, sem abrir mão da autonomia brasileira na condução das políticas de segurança e no combate ao crime organizado.
Existe uma demanda por parte dos EUA para que o Brasil apresente um plano de enfrentamento ao PCC, ao Comando Vermelho e a outras organizações criminosas que atuam em solo brasileiro.
Recentemente, em abril deste ano, o governo federal anunciou um acordo de cooperação mútua entre a Receita Federal e a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA para enfrentar o tráfico internacional de armas e drogas.
Investigação comercial dos EUA
Outro tema sensível da agenda será a investigação aberta pelos Estados Unidos sobre o Brasil com base na seção 301 da legislação comercial americana. O procedimento pode resultar em sanções e novas tarifas contra produtos brasileiros. O governo Lula tentará negociar a retirada de taxas aplicadas pelos EUA a itens brasileiros, como aço e alumínio.
Do lado americano, as prioridades incluem a exploração de minerais críticos e terras raras no Brasil, além da atuação das big techs americanas em território brasileiro. O tema dos minerais estratégicos ganhou força após o avanço de discussões no Congresso Nacional sobre projetos relacionados à exploração desses recursos.
Cenário internacional
Na área internacional, Lula deve tratar da escalada de tensão entre Estados Unidos, Israel e Irã.
O presidente brasileiro avalia que crises no Oriente Médio refletem a falta de efetividade do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).
Como alternativa, o petista defenderá novamente a ampliação do colegiado, com a inclusão do Brasil e de outros países.
Comitiva do governo
Lula chegou em Washington na quarta-feira (6), acompanhado de uma comitiva formada por seis autoridades. Acompanham o presidente na viagem:
Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores;
Wellington César, ministro da Justiça e Segurança Pública;
Dario Durigan, ministro da Fazenda;
Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços;
Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia;
Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.
Fonte: R7
