Retornando a Juara; Por Sidney Mantoan
A cidade mudou, eu mudei, o tempo passou, porém o sentimento permaneceu.

Em janeiro de 1977 cheguei para morar em Juara, (com 13 anos de idade), trazendo sonhos e a esperança de construir uma nova história.
Em setembro de 1983, retornei para Cuiabá, jamais imaginei que um dia voltaria para morar aqui novamente.
Naquele momento, parecia apenas uma mudança de endereço. A vida seguia seu curso, os planos eram outros, os caminhos apontavam para novos horizontes. Não havia como imaginar que, anos depois, o destino me traria de volta às raízes.

O tempo passou. Muitas coisas mudaram. Pessoas partiram, outras chegaram. A cidade cresceu, evoluiu, se transformou. E nós também mudamos junto com ela.
O tempo não espera ninguém. Ele segue firme, silencioso, escrevendo capítulos sem pedir permissão. Mas às vezes ele também nos surpreende e nos permite revisitar lugares que nunca deixaram de morar dentro de nós.
Voltar não é apenas regressar a um espaço físico. É reencontrar histórias, memórias, sentimentos e, principalmente, a própria essência.
Agora, ao retornar, após quase 43 anos desde a partida, não trago apenas malas, trago experiências vividas, memórias guardadas, maturidade construída pelo tempo e um profundo cuidado e amor pelo Resgate da História de Juara.
Há reencontros que não acontecem por acaso. Quando a vida nos conduz de volta às nossas origens, algo maior está sendo escrito. Juara nunca foi apenas um lugar no mapa, foi cenário de sonhos, aprendizados, amizades e capítulos que ajudaram a formar quem sou.
A cidade mudou, eu mudei, o tempo passou, porém o sentimento permaneceu.

Permaneceu o carinho pelas ruas que guardam lembranças, pelas pessoas que ajudaram a construir essa terra e pela missão de valorizar cada capítulo dessa trajetória.
Que este novo tempo seja de propósito, paz e contribuição, sempre seguindo a vontade de Deus em minha vida. Que possamos compreender, passo a passo, o que o destino espera de nós nesse reencontro com a cidade que sempre teve morada no coração.
Por Sidney Mantoan, agora cidadão Juarense



