A democracia sai forte, diz Carlos Bezerra após prisão definitiva de Bolsonaro

Foi um dia histórico para o país.” É assim que Carlos Bezerra, presidente de honra do MDB em Mato Grosso e uma das figuras mais influentes da história política do Estado, avalia o trânsito em julgado da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, a decisão que confirmou a pena de 27 anos para o ex-chefe do Executivo e seis aliados, incluindo generais, por participação num plano de golpe de Estado, representa mais que um desfecho judicial: é uma reafirmação da capacidade do Brasil de proteger a sua democracia.
“A democracia sai super forte (desse episódio)”, afirma ele. Bezerra fala com a autoridade de quem viveu a ditadura militar e chegou a ser preso por defender a ordem democrática e ser contrário ao regime militarista.
Nos seus 50 anos de vida pública, construiu uma carreira que passou pela Assembleia Legislativa, Prefeitura de Rondonópolis, Palácio Paiaguás, Senado e Câmara Federal, além de ter comandado o MDB mato-grossense por três décadas.
Oficialmente afastado da política, continua atento aos rumos do partido e do país, e, por isso, o emedebista interpreta a prisão definitiva de Bolsonaro como um marco.
“Mostrou que a democracia vai sobreviver no Brasil. E deu um exemplo para o mundo e um recado para os golpistas.”
Mesmo diante da polarização e da pressão política do PL no Congresso por anistia a Bolsonaro e outros condenados por tentativa de golpe, Bezerra não vê espaço para relativizações. Para ele, a sentença é um aviso claro às forças que tentaram romper a ordem constitucional.
“Lógico que desestimula (ações contundentes de apoiadores), porque agora sabem que vão ser punidos. Antigamente os generais davam golpe e não eram punidos. Agora isso acabou. Não tem anistia, vai para a cadeia mesmo.”
Para ele, a condenação representa uma mudança histórica na postura institucional brasileira, rompendo com décadas de indulgência a rupturas autoritárias.
Bolsonaro inelegível e o futuro político
Apesar da prisão e de estar fora de 2026 por estar inelegível, Bolsonaro ainda influencia parte do eleitorado, admite Bezerra. Mas ele acredita que esse ciclo tem prazo.
“Ele tem um grupo fiel, sim. Mas a política é como uma nuvem, ela está passando.”
Sobre o fim do bolsonarismo, o veterano político evita previsões absolutas, mas reforça que o golpe sofrido pelo movimento é profundo. “Nocauteou os golpistas. Acho que por muito tempo, no Brasil, ninguém vai botar a cara fora.”
Bezerra ressalta a atuação do Supremo como “fundamental” para garantir a sobrevivência da ordem democrática.
“O Supremo cumpriu seu dever de cuidar do processo democrático, da Constituição”, afirma ele, defendendo o papel do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. “Pegou um abacaxi dos maiores. Mas relatou com coragem e competência.”
Fonte: RD News



