Entrevista da semana com o juiz de Juara, Alexandre Socrates Mendes.

O juiz de Direito da Comarca de Juara, Alexandre Sócrates Mendes, nascido em Jataí-GO, possui graduação em Direito pela Universidade de Cuiabá (Unic). Foi Promotor de Justiça do Estado do Tocantins. Trabalhou como professor na Faculdade de Colíder. Atualmente é Juiz de Direito da Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso.

O Magistrado conta ao NJ um pouco sobre a mudança na carreira, os desafios em atuar no interior, como conciliar trabalho e família e falta de servidores em comarcas do interior.

NJ- Dr. Socrates, fale um pouco da sua trajetória até aqui. O que o senhor passou até chegar ao cargo de juiz?

R: Sou nascido em Jataí-GO, mas ainda criança minha família se mudou para Sinop, cidade em que fui alfabetizado e vivi toda a minha infância e parte da juventude, sendo que me considero Sinopense. Se Deus quiser, um dia ainda voltarei para lá como Juiz de Direito!

Iniciei na judicatura na Comarca de Terra Nova do Norte, no ano de 2012. Em 2014 passei a jurisdicionar, cumulativamente, a 1ª Vara de Colíder, onde permaneci até dezembro de 2015, quando assumi a titularidade da 2ª Vara da Comarca de Juara.

Pois bem. Como Promotor de Justiça no Estado do Tocantins eu estava profissionalmente realizado, trabalhando em uma ótima carreira jurídica e em um Estado maravilhoso, repleto de belezas naturais, e de um povo extraordinário. Todavia, jamais me sentia completo, pleno, pois apesar de estar bem, me faltava o convívio com minha família.

Portanto, o fator decisivo para minha dedicação ao concurso da magistratura foi o desejo de voltar para o meu Estado, para próximo de minha família e amigos.

NJ- Como foi a transição de Promotor para juiz?

R: Profissionalmente, a mudança da carreira de Promotor de Justiça para o cargo de Juiz de Direito foi tranquila, pois após quase 05 (cinco) anos de atuação no Ministério Público, eu já estava bastante acostumado com a rotina forense, sendo necessária apenas uma adaptação. Sim, pois apesar de lidar com o mesmo direito, atuar com imparcialidade e isenção, independente dos fatos, requer muita abnegação e altruísmo do julgador.

NJ- Qual foi o principal desafio ao assumir uma comarca no interior de Mato Grosso?

R: O principal desafio para um juiz substituto é se adequar a realidade para a qual não foi preparado, qual seja, a de ser um gestor. Quando se chega à primeira instância, além de ter que julgar até reclamações trabalhistas, o magistrado tem o dever de gerir a unidade jurisdional, sendo responsável por uma miríade de obrigações, tais como gestão de pessoal, patrimônio, segurança e etc. Certamente este é o maior desafio!

NJ- Como é a estrutura da comarca?

R: Sem falsa modéstia, a estrutura do Poder Judiciário Mato-grossense, no geral, é muito boa. Contamos com fóruns bem planejados, sistemas de informática e informatização modernos e eficientes, além de servidores dedicados.

Há casos pontuais que necessitam de aprimoramentos e reformas, mas entendo que isso é absolutamente normal, pois sempre haverá trabalho a se fazer.

Todavia, o gargalo que enxergo, ao menos no interior do Estado, é a falta de servidores em algumas comarcas, pois a rotatividade é muito grande, com muitas aposentadorias, pedidos de exoneração para assunção de outros cargos e etc.

NJ- Sabemos que além do Dr. Sócrates, magistrado, existe a questão pessoal. Como é a mudança envolvendo a família, em questão de segurança, moradia, estudo?

R: A rotina do magistrado é cercada de preocupações que vão muito além da função em si. Por ser uma carreira de risco, o magistrado leva uma vida muito mais reclusa do que o cidadão comum.

Ao alugarmos uma casa temos que nos preocupar prioritariamente com a segurança, contratarmos empresas de vigilância, instalar cerca elétrica, câmeras, e adotarmos uma postura defensiva a todo o momento, principalmente ao chegar e sair do fórum e da residência.

Com efeito, quem mais sofre com tais privações são nossos familiares, principalmente os filhos, que crescem cercados de privações que a maioria das crianças não possuem.

Sendo assim, um dos prazeres ínsitos à magistratura é a leitura, não apenas de obras jurídicas, mas principalmente de história, literatura, economia e etc., que preenchem com louvor parte de nosso tempo de descanso em casa.

Particularmente acho que se tem uma qualidade de vida muito maior no interior do que na capital. Primeiramente pela ausência de trânsito pesado, congestionamentos, o que por si só elimina uma grande fonte de stress.

NJ- Quais os pontos positivos em atuar no interior?

R: O Juiz de Direito no interior consegue mudar a realidade social da localidade em que está inserido, sendo um agente político importante na transformação social. Outrossim, na maioria das comarcas do interior, por ter um contato mais próximo com a população, o Juiz goza de credibilidade social, sendo ainda respeitado e admirado pelos jurisdicionados.

NJ- Quais são os principais projetos desenvolvidos até o momento e como estão as metas da Comarca?

R: O cumprimento das metas estabelecidas pelo CNJ e pelo TJMT é um objetivo sempre a se alcançar, cujos magistrados se esmeram em busca do melhor. Não é atoa que o Poder Judiciário Mato-grossense vem se destacando no cenário nacional neste quesito.

Particularmente, meus projetos profissionais são muito simples, pois consiste apenas em trabalhar com celeridade, eficiência e cortesia, pacificando os conflitos sociais e cumprindo as metas estabelecidas pelos órgãos superiores.

Apesar de ataques constantes dos mais diversos setores, geralmente motivados por questão não republicanas, a magistratura é e sempre será o último bastião da sociedade, onde o cidadão sempre encontrará a guarida para seus direitos, tal como exclamou o moleiro: “Ainda há juízes em Berlim”.

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Por: Ana Claudia Fortes

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